
Não há tempo ruim para o Grêmio de Roger. Sua equipe marca pressão?
Sem problemas. O Tricolor responde com jogo bonito, troca de passes e
contra-ataques, até mesmo dentro da Arena. O caminho pelo meio está
congestionado? Ok, Galhardo, Luan ou outro aparece como opção para
desafogar com cruzamentos rasteiros. Há ainda faltas diretas, bolas
aéreas e a rapidez de desarmes que viram gols. O Tricolor tem um
cardápio farto de jogadas e parece, como se fora formado por personagens
de videogame, saber usar cada expediente no momento que lhe convém.
São
seis “tipos de gols” divididos pelo GloboEsporte.com para tentar
esmiuçar o sucesso da equipe gaúcha no Brasileirão: contra-ataques, até
mesmo em casa; o jogo bonito no toque de bola; o desafogo pelas
laterais; a artilharia aérea e as bolas paradas diretas; e as roubadas
que se transformam em rede balançando. Todos devidamente ajustados
diariamente. As estratégias montadas por Roger levam em consideração a
observação dos adversários. Por isso, o técnico parece “apertar um
botão” e comandar os jogadores às ações previstas.
- O Roger
fez um pacto com os atletas de que nós pudéssemos até o mês de outubro
permanecer na briga. Tenho certeza que esse pacto foi compreendido e
está sendo praticado. Essa é a grande estratégia e trabalho. Temos
semanas curtas e ele precisa estar em sintonia com nosso educadores
físicos para que possamos recuperar os jogadores antes de treiná-los. O
Roger precisa desse tempo de trabalho porque o trabalho dele faz a
diferença - disse o diretor executivo Rui Costa.
CONTRA-ATAQUES (ATÉ EM CASA)
Quando
precisa, o Grêmio não tem nenhuma vergonha de recuar e ficar atrás da
linha da bola. Esperar o adversário definir o que fará para depois
reagir. Foi, segundo o técnico Roger, o que o time fez, orientado, na
vitória por 2 a 0 sobre o Figueirense, no Orlando Scarpelli. No segundo
gol, aproveitou os espaços deixados em um contra-ataque construído a
base de muito toque de bola. Mas com um ponto em comum com gols sobre o
Atlético-MG e o Corinthians: pega os adversários em momentos
inesperados e leva vantagem por isso.
Outra
opção sempre é usar a qualidade técnica do elenco. E com nomes como
Giuliano, Luan e Douglas, isso não falta. O Grêmio tem na construção de
jogadas no toque de bola um dos seus trunfos. O constante trabalho no
dia a dia, com treinos em campos reduzidos, em pequenas áreas, deixa os
atletas preparados para marcação pressão dos rivais. O que aconteceu
contra o Atlético-MG, no primeiro gol, e foi superado facilmente pelo
toque tricolor. De pé em pé, o Grêmio também construiu, por exemplo, o 2
a 0 sobre o Santos, o 3 a 0 no Gre-Nal e o gol do empate em 1 a 1 com o
Goiás.
“Amplitude,
dá amplitude”. Esta expressão, usada diariamente por Roger em seus
trabalhos, seja com titulares ou reservas, resume esta opção para o time
gremista. Amplitude é o quanto a equipe está, horizontalmente, ocupando
o campo de jogo. Ou seja, a cobrança é por uma equipe extremamente
esticada, utilizando ao máximo a largura dos gramados Brasil afora. Os
cruzamentos saem sempre rasteiros, para que os atacantes se antecipem
aos rivais para escorar para o gol. Assim, o Grêmio marcou contra
Criciúma, na Copa do Brasil, contra Inter, Vasco, Santos e Atlético-PR.
O
ditado do futebol diz que, quanto mais perto roubar a bola do gol
rival, mais fácil fazer o gol. É um incentivo para que os jogadores
façam marcação pressão no campo adversário. E com o time de Roger, não é
diferente. Em situações específicas, o Grêmio roubou a bola no ataque e
com poucos toques, acertou as redes. Contra o Santos, Edinho foi quem
fez isso e deu a assistência para Yuri Mamute. No Gre-Nal, foram duas
vezes. Maicon foi quem roubou e acionou Fernandinho no quarto gol. E no
segundo, Erazo se antecipou a Lisandro López e deixou com Luan, que
avançou e chutou de fora da área. No segundo gol sobre o Vasco, Edinho
repetiu a dose, embora a assistência tenha ficado para Giuliano, que
recebeu do volante e encontrou o atacante Pedro Rocha livre.
Quando
o jogo encrespa e o Grêmio tem dificuldades, também tem uma carta na
manga. Recorre às bolas paradas para marcar. São duas opções: ou as
cobranças diretas, como nos gols de Galhardo sobre o Joinville e Luan
sobre o Avaí, além dos pênaltis de Douglas, convertido contra o
Cruzeiro, e Luan, sobre o Coritiba, pela Copa do Brasil.
A
outra opção são os cruzamentos e a artilharia aérea. O Tricolor conta
com jogadores altos, como Erazo, Pedro Geromel e Bobô. Os três, nos
últimos jogos, marcaram. O centroavante, na vitória desta quinta, sobre o
Figueirense. O equatoriano, na vitória sobre o Joinville, na Arena. E o
zagueiro, no 3 a 1 sobre o Coritiba, na Copa do Brasil. Expedientes
utilizados dentro das opções de Roger para facilitar o trabalho.